domingo, 5 de fevereiro de 2012

Survivor no Ibitiraquire - Caratuva



A intenção era atingir o cume da montanha mais alta do sul do Brasil, Pico Paraná, para os montanhistas da região "PP".

Formada a equipe, Rodrigo, Lucas e Jonathan. No dia predecessor daquele que fora marcada a data de saída, eu, Rodrigo, preparei os equipamentos com o necessário para uma pernoite e muito mais. Entrando em contato com a Jéssica, minha querida companheira, fui informado que os demais integrantes da equipe resolveram realizar uma espécie de "survivor" na empreitada. Óbvio que o "PP" ficou para próxima ocasião.

Mesmo deixando o "PP" de lado, fato que não foi planejado a início de conversa, a equipe visitou a região com o objetivo maior de relatar os caminhos percorridos. Missão dada, missão meio cumprida.

Brincadeiras a parte, a história de "survivor no Ibitiraquire" se resume a seguinte epopeia que, desta vez, não se faz em forma de poema.

Os nobres montanhistas e amigos, Lucas e Jonathan, resolveram realizar o trajeto levando apenas um punhado de grãos e sementes. Como emergência levaram cada um 2 pedaços de waffer. Fora a alimentação reforçada, decidiram que dormiriam ao relento em meio ao mato. Enfim, levaram juntos, aproximadas 200 gramas de comida, 2 casacos, lanternas e água. Ressalto, ambos estão em plena forma física e possuem experiência e conhecimentos técnicos suficientes para realizar tal maluquice.

Ao nascer o sol, chegou o tão esperado momento da subida, nos reunimos e então caiu a ficha que a loucura era real. Enquanto eu carregava uma mochila de 75 litros transbordando, eles levavam mochilas de 15 a 20 litros praticamente vazias.

Pois bem iniciamos a caminhada. Aí segue o relato que, por ora, será acerca do trajeto ao Caratuva, segunda montanha montanha mais alta da região do Ibitiraquire e do sul do Brasil.

Com seus aproximados 1860 metros é uma das mais belas e exuberantes montanhas da região.
Vizinha do colosso Itapiroca, possui nome característico de uma planta típica das alturas. A Caratuva, uma espécie de bambu, é uma das diversidades que integram os campos de altitude. Pela notável quantidade da planta, em especial, no topo da mencionada montanha, é que ela leva o nome da planta.

O caminho que leva a montanha é de fácil acesso, contudo é necessário estar com o físico em dia, pois o lançante final é árduo para os trekker's que pretendem realizar a subida bem carregados.

O acesso principal é pela fazenda Pico Paraná, que se diga de passagem muito bem cuidada. O local é um ótimo ponto de reunião para mochileiros e amantes da natureza. Possui um ótima infra-estrutura para aqueles que chegam de outras regiões. Dentre os serviços oferecidos pela fazenda, destacam-se a lanchonete, camas e chuveiro quente (consultar preço).

Não obstante muitos critiquem a fazenda, o gerente, o Sr. Dilson, é um homem super atencioso, prestativo e amigo. A fazenda pode ser considerada um acampamento base para os montanhistas da região, valendo cada centavo pago pelo acesso (R$ 10,00 por pessoa). Para os interessados o sítio na web da fazenda é www.fazendapicoparaná.altamontanha.com, lá você pode encontrar preços, informações e mapa de acesso.

Ao chegar na fazenda, após estacionar o carro e fazer o cadastro pessoal, o caminho tradicional que leva a todas as montanhas da região se situa à direita do tanque de água.

Logo no início da trilha existe um grande painel com as informações locais e as indicações dadas pelo Dilson sobre mínimo impacto, que por certo devem ser observadas pelo caminhante. Acesse www.pegaleve.org.br.

Subindo pela trilha, a caminhada é meio a mata exuberante, após aproximados 15 minutos, chega-se à pedra do grito, considera o primeiro mirante da região.

A subida rumo ao morro do Getúlio é tranquila e não demanda nenhum tipo de esforço físico além do necessário em qualquer atividade de caminhada.

Superando a pedra do grito, inicia-se uma subida um pouco mais íngreme, que em alguns momentos o caminhante avistará à esquerda a fazenda Pico Paraná.

Caminhando mais alguns minutos, chega-se à uma espécie de lago, um ótimo loca para um lanche e um descanso rápido. Continua-se o caminho pela trilha a frente, que vale destacar, mais parece uma passarela.

Aos poucos a vegetação começa a mudar de uma densa e exuberante floresta para uma vegetação mais baixa, similar a dos cerrados. Isto significa que você está próximo ao Morro do Getúlio.

Continuando a subida, chega-se ao início do Morro Getúlio, aí a vegetação é bem rala, somente vegetação rasteira. Chegando próximo às montanhas que se vê a frente (Caratuva à esquerda e Ipapiroca à direita), existe um abrigo/acampamento que é possível acampar.

Do mencionado abrigo, caminhando aproximados 10 minutos, chega-se a um entroncamento. À esquerda se situa o caminho para o Caratuva, à direita o caminho segue para o Itapiroca e Pico Paraná. É importante lembrar que quem pretende clocar o Caratuva no roteiro para o "PP", do cume dele há um caminho que segue ao Pico Paraná. É uma ótima opção para pernoitar e fazer um ataque ao "PP" pela manha do dia seguinte (era a intenção da equipe).

Como dito, a intenção era pernoitar no Caratuva e fazer o ataque ao "PP" no dia seguinte. Portanto, seguimos o caminho à esquerda.

O início do caminho para o Caratuva é bem fechado, com várias taquaras, porém é bem demarcado e gastado pelo pisar do homem.

Passando-se aproximados 50 metros pelas taquaras, o caminho fica mais limpo. Aí inicia-se uma caminhada em meio a majestosa mata atlântica.

Logo no início a subida é relativamente tranquila, agravando-se a inclinação com o passar do tempo. Após 30 minutos de caminhada, chega-se a um riacho de água potável. cruza-se ele seguindo a trilha que o acompanha por alguns poucos minutos. Neste ponto é importante alertar os desavisados que existem garrafas de água à esquerda não para consumo ou para que sejam transportadas para o cume da montanha, mas sim para combate de incêndios, pois há alguns anos o Caratuva foi vítima de um criminoso incêndio que devastou grande parte da vegetação local que, atualmente, está se recuperando.

Não há segredos para prosseguir pela trilha, existem marcações de plástico amarelo, branco e vermelho em galhos de árvores. A trilha é bem marcada, do riacho para o cume, basta acompanhar a marcação da trilha, seguindo-se pelo caminho batido pelo pisar dos caminhantes.

Um pouco antes da metade da subida, à esquerda existe uma grande fenda, que mais se assemelha a uma gruta. Não se aconselha chegar perto, pois é uma bela queda. Tendo em vista que o buraco está por volta de 50 centímetros da trilha é valioso fazer a trilha durante o dia para evitar acidentes.

Ao superar a metade da subida à direita existe um ponto com uma pequena pedra onde se pode ter uma boa visão da região.

Os momentos finais da trilha são os mais árduos em termos de inclinação, porém não é necessário ajuda de cordas, grampos ou correntes. No trecho final, à esquerda, o caminhante avistará em dois momentos, colados na trilha, duas grandes pedras que formam paredões costeados pela trilha.

Ao chegar na cabeceira do cume do Caratuva, a vegetação começa a mudar, as pequenas árvores, tão incomodas para aqueles que decidem levar suas mochilas cargueiras, dão lugar para as caratuvas e vegetação baixa. Quase transposta a parte final existe uma pequena parede de pedra (aproximados 1,8 metros) que o caminhante deverá superar para continuar pela trilha em meio as caratuvas.

O caminho para o cume possui como referencial uma grande pedra em meio as caratuvas, siga pela trilha pisoteada no chão, não há erro.

Ao chegar no cume, aparentemente não há caminho, nem acampamentos, pois existem algumas torres. A passagem para os locais de acampamento se encontra ao lado da primeira caixa branca de comunicação. Ao passar por esta caixa, avista-se uma estação de comunicação avançada e meteorologia, uma espécie de casinha. Os locais preferidos para pernoitar estão localizados à esquerda desta casinha, posição que possibilita contemplar os colossos Pico Paraná e Ciririca de uma forma inigualável.

Existe um acampamento mais deslocado à esquerda destes outros, no meio das caratuvas e vegetação. O caminho é por uma trilha praticamente invisível. Este local para pouso fica um pouco antes do início do caminho para o Taipabaçu e Ferraria (montanhas situadas à esquerda do Caratuva, na visão de quem está indo rumo ao Caratuva), partindo do Caratuva.

Quanto à trilha que segue ao acampamento 1, rumo ao "PP", ela segue por um caminho a frente dos principais locais de pouso que contemplam o "PP", não há segredo. Siga pelos caminhos formados pelo caminhar dos montanhistas.

Aí está o "caminho das pedras". Relativamente tranquilo.

Quanto ao Lucas e o Jonathan? Bem, eles decidiram dormir no acampamento no caminho para o Taipabaçu e Ferraria. Tentaram, mas não conseguiram, às 23:00 a temperatura era -5º celsius e estavam mortos de fome.

Por fim eu, Rodrigo, virei o "Sherpa" deles. Enquanto eu comia feijoada eles tremiam de frio lá fora.

Não pela fome, mas pelo frio, em determinado momento pularam para dentro da barraca e no outro dia voltamos para a fazenda, pois sem comida, com um péssimo sono, era óbvio que o "PP" estava "distante demais". Valeu a tentativa.

Na volta decidimos pelo seguinte que a excursão para o "PP" e seu relato foi prometido e será realizado, porém, antes, para quebrar o "trauma" desta aventura, decidimos realizar o "TUCUM CINCO ESTRELAS", que será em alguma brecha do tempo no mês de fevereiro ou meados de março.

Por quê cinco estrelas? A próxima postagem explicará!

Abraços a todos e boas pernadas!

Metam o pé na trilha conosco. Querendo participar, deixei um comentário e o manteremos informado das atividades.


Seguem as fotos do relato e "survivor":


Entrada da Fazenda Pico Paraná (Dilson de camisa vermelha).

O equipamento do "Sherpa" (Rodrigo).

Da esquerda para a direita: Lucas, Jonathan e Rodrigo.

Lucas e a placa logo no inicio da trilha.

Mínimo Impacto.

Início da trilha.

Rodrigo o "SHERPA" na subida inicial da trilha.

Antes de chegar na pedra do Grito. Ao fundo represa do Capivari.

Pedra do Grito. Ao fundo represa do Capivaria. A baixo e a direita fazenda "PP".

Visão geral.

Lucas na pedra do grito.

Lucas e Jonathan os homens "Survivor".

Trilha em frente após pedra do grito.

Rumo ao Morro do Getulio

2ª Pedra. Após a Pedra do Grito e antes do lago do almoço.

Lucas e Rodrigo.

Estilo das marcações.
À esquerda, olhando para baixo, Fazenda Pico Paraná.

Jonathan e Rodrigo. Antes do Morro do Getulio

Mudança da vegetação. Chegando ao Morro do Getulio.

Jonathan. Represa do Capivari ao fundo.

Rodrigo. Chegando ao Morro do Getulio.

Jonathan e Lucas, super equipados e prontos para a aventura. Contemplando a visão.

Seguindo ao Morro do Getulio.

Rodrigo e Jonathan. Caratuva ao fundo parcialmente coberto por nuvens.

Destino.

Morro do Getulio. Ao fundo represa do Capivari.

As passarelas do Getulio e região.

Rumo a entroncamento para Caratuba (Esquerda), "PP" e Itapiroca (Direita).

Caratuva visto do acampamento do Morro do Getulio.

Acampamento do Morro do Getulio

Alimento para o final de semana dos homens "survivor" (Lucas e Jonathan).

Entroncamento. Direita "PP" e Itapiroca. Esquerda Caratuva.

Riacho na trilha do Caratuva.

Minhocuçu na trilha do Caratuva.

Fenda próximo da metade da subida.

Vegetação na subida ao Caratuva. Um problema para as cargueiras.

Lucas na cabeceira do Caratuva rumo ao cume.

Visão geral.

Rodrigo em meio as caratuvas no lançante final do Caratuva.

Após armar o acampamento. Contemplando a "vista".

Lucas e Rodrigo em um dos locais para acampar (de frente para o "PP") no Caratuva.

Estação avançada.

Acampamentos de frente para o "PP".

Lucas em um dos acampamentos com frente para a represa do Capivari.


Vista do acampamento com frente para a represa do Capivari.

Lucas e Jonathan

Os sobreviventes. Local de acampamento no meio da trilha para o Taipabaçu e Ferraria (Trilha escondida).

Conforto da barraca do "Sherpa" e apoio para os sobreviventes.

Frio e fome.

-5° Celsius.

Rodrigo faceiro comendo sua feijoada.

Enquanto os sobreviventes passavam frio e fome, uma feijoada bem quentinha os esperava, mas eles resistiram a tentação e não comeram nada além do que trouxeram.

A fome eles aguentaram, mas o frio da natureza selvagem é mais forte.

Após uma noite cansativa, uma manha recompensadora com muito calor.

"PP" ao fundo.

Lucas faceiro.

Rodrigo.

Pico Paraná ao fundo.

Ciririca à esquerda da foto.

Estações no Caratuva.

In to the wild.

Colosso Pico Paraná.

Rodrigo, Jonathan e Lucas.

Lucas e Jonathan curtindo o visual do Ibitiraquire. Ao fundo maciço do "PP" e Camelo na ponta.

Caminho para Taipabaçu e Ferraria.

Voltando sem o "PP", mas cogitando o Tucum 5 estrelas.

Rodrigo. Lucas e Jonathan ao fundo contemplando a vista para a represa do Capivari na volta.

Estórias, com E? Sim, Estórias para se contar. Muitas.

Descendo.

Lucas. Ao fundo Morro do Getulio, Fazenda Pico Paraná e represa do Capivari.


Caratuva ficou para trás. Vista do Morro do Getulio na volta,

Rodrigo e Jonathan nas pedras do mirante do Morro do Getúlio (Volta).

Chegada.

Só alegria!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

2012 com tudo!

Olá Pessoal!

A equipe do Pé na Trilha Curitiba deseja a todos um feliz 2012, cheio de aventuras e mochiladas!

Com as energias recuperadas, após alguns dias de férias, a família Pé na Trilha está planejando uma aventura antiga dos Curitibanos e Paranaenses, por diversas vezes já a realizamos, porém nunca relatada com alto nível de detalhe, é ele, o pico mais alto do sul do Brasil, o Pico Paraná.

O planejamento é para o mês de Janeiro. Estamos monitorando o tempo e esperando uma pequena brecha no tempo, pois como a maioria dos montanhistas sabe, o verão, principalmente na região, é repleto de pancadas de chuva e tempestades relâmpago!


Por enquanto, para deixar os leitores animados, vão algumas dicas sobre trekking, esporte tão amado dos trilheiros, mochileiros, aventureiros e amantes da natureza!

Para os iniciantes, uma breve menção sobre a origem do trekking é válida.

O termo trekking possui as primeiras diretrizes por volta do século XIX, na África do Sul. Como muitos sabem a África do Sul passou por um intenso processo de colonização realizada pelas potências da Europa. Neste contexto surge o termo Trekken, que do Africâner, uma espécie de sincretismo linguístico, significada migrar. Vale destacar que essa migração trazia consigo uma carga de sofrimento, resistência e aventura.

Não haviam outros meios de locomoção. O único jeito era se lançar de corpo e mente pelas savanas e selvas a fim de desbravar a Natureza Selvagem!

Com o domínio dos Britânicos, o termo foi absorvido pela língua inglesa e, posteriormente, utilizado vastamente pelos aventureiros que ousavam acessar lugares inóspitos e longínquos.

Ainda existem algumas derivações para o termo, como Hiking, que do inglês, Hiker, significa andarilho.

Certo é que os trekker's já não são simples andarilhos. Os amantes do esporte se tornaram aventureiros de primeira, experientes e super equipados!

Por se falar de experiência e equipamentos, aí surgem as dicas que a equipe Pé na Trilha Curitiba dá quanto aos equipamentos básicos e conhecimentos mínimos para a prática do esporte.

Primeiramente, uma dica muito boa é acessar o site mochileiros (www.mochileiros.com), que eu, Rodrigo, participo ativamente.

Lá, desde de iniciantes a veteranos se encontram em um espaço de troca de dicas sobre tudo de tudo. É realmente um espaço muito rico e precioso para os mochileiros como um todo.

Ao pontuar a questão de equipamento, antes de tudo, é necessário saber o que se pretende fazer. Existem várias modalidades de trekking, que oportunamente a família Pé na Trilha irá trazer aos leitores.

Caso o aventureiro queira fazer um trekking sem pernoite, o equipamento é bem mais light, em todos os sentidos, isto é, financeiro, peso, exigência de resposta e etc.

Por outro lado se a intenção é pernoitar, aí a exigência do equipamento é um pouco maior e, com ela, tudo é um pouco maior, se é que se faz entender.

Por ocasião, vamos dar algumas dicas para um trekking sem pernoite. Para aqueles que pretendem dar um passo além, sairá em breve um artigo fresquinho sobre trekking com pernoite que só aqui vocês podem encontrar em alto nível de detalhamento e sempre com as melhores referências de experiência.

Para iniciar o esporte, são necessários alguns equipamentos mínimos, que, com o passar do tempo, podem ser acompanhados de alguns acessórios que auxiliam no conforto e segurança.

O trekking de um dia, tem como base os seguintes equipamentos: mochila (30 Litros); cantil de água; boné; calça-bermuda; camisa de dry-fit; apito de segurança; relógio; lanterna (de preferência de cabeça) com pilhas reserva; faca de camping ou canivete; celular (sim); bota ou tênis para caminhada amaciado (confortável).

Como equipamentos acessórios, para aumentar o conforto e segurança podem ser utilizados os seguintes: GPS para trilhas; bússola; bastões de caminhada; corda; reservatório de água estilo camelback ou similar (reservatório de água para mochila); binóculos.

Quanto aos equipamentos básicos e acessórios, vamos falar um pouco sobre os principais.

Mochila
As mochilas são sua casa. Nela você levará tudo que é importante para o trekking. Sendo sua casa e transporte de coisas valiosas, você deve dar uma atenção maior na escolha dela.
Primeiramente a atenção se deve ao conforto e o impacto do peso sobre as suas costas. É importante que o peso de uma mochila jamais passe de 1/3 do peso do corpo da pessoa que a carrega.

As característica de uma mochila para um trekking de um dia não são de grande exigência, contudo é importante prestar atenção em algumas dicas.

As mochilas para este tipo de trekking não devem passar de 32 Litros, pois quanto mais espaço, mais bugigangas se leva e, consequentemente, mais peso. Isto, definitivamente, no fim do dia não fará bem.

A mochila preferencialmente deve ser confeccionada em nylon tipo ripstop ou cordura, pois são tecidos altamente resistentes a abrasivos. Assim, a garantia de não rasgarem durante o percurso é elevada, despreocupando o caminhante durante o percurso.
As costas devem ser bem acolchoadas e com uma ventilação de ar agradável, já que após horas de caminhada não é nada agradável estar com as costas ensopadas de suor.

Prefira as mochilas com um perfil mais fino, pois mochilas muito largas podem ser um incomodo ao passar por trilhas com a vegetação mais fechada.

Evite mochilas com muitos penduricalhos, ou seja, muitas fitas soltas e etc. Prefira as mochilas mais funcionais.

A capa de chuva na mochila sempre é importante pois nunca se sabe quando o tempo poderá virar, principalmente no verão.

Uma mochila com espaço dedicado a reservatórios de água do tipo camelback são uma mão na roda, evitam o volume da garrafinhas de água e paradas só para pegá-las.

Quanto ao número de compartimentos, quanto menos divisórias frontais melhor, pois a possibilidade de infiltração de água será menor, caso chova. Ainda, quanto menos número de divisórias, provavelmente menor será o número de penduricalhos. Porém uma mochila com um compartimento central e outro no topo da mochila é a mais indicada.

Essas são as principais características que uma boa mochila para o trekking de um dia pode ter.

Quanto à marcas e preços, há para todos os bolsos e gostos. Marcas nacionais e internacionais possuem boas referências de qualidade e tradição.

No âmbito nacional as mais indicadas são Conquista, Alto Estilo, Trilhas & Rumos e etc.
No âmbito internacional a tradição é maior e, consequentemente, existem mais marcas e modelos disponíveis, contudo os preços são mais elevados. Dentre as melhores se destacam Deuter, Arcteryx, Osprey, Black Diamond, The North Face, Ferrino, Kailash e outras.

Cantis, garrafas de água e reservatórios tipo camelback
São várias opções, das mais rudimentares, como os cantis de couro até os reservatórios camelback e streamer.

Independente da sua escolha, é importante sempre levar água. Água nunca é demais. Deste modo, sempre leve água em excesso, evitando reservatórios que possam furar, rasgar ou contaminar a água.

Quanto a qualidade da água, é importante destacar que existem pastilhas de tratamento de água ou você pode adicionar uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água e deixar a solução descansar por algum tempo.

Lanternas
As lanternas são indispensáveis, ainda que você pretenda retornar antes do anoitecer. Afinal, nunca se sabe o que nos espera no caminho, então é bom prevenir, pois uma noite no meio da mata pode ser bastante assustadora e incomoda se você não estiver bem equipado.

Para um trekking curto, ou seja, de um dia, não é necessário uma lanterna de qualidade excepcional, porém sempre é bom ter um equipamento honesto e com qualidade mínima, que possa lhe dar segurança em situações um pouco mais severas, como chuva, frio e etc.

Existem lanternas para todos os gostos, desde as lanternas militares até as chamadas Headlamps (lanternas de cabeça). Todas servem, porém as Headlamps são as mais indicadas, pois deixam o caminhante com as mãos livres. Isto é um grande diferencial, vez que permitem que o caminhante tenha maior destreza na caminhada, não tomando atenção dele durante o percurso. Estar de mãos livres no meio de uma trilha à noite é muito importante.

Existem diversas opções de Headlamps, desde as mais sofisticadas e caras até as mais simples.

Certo é que a intensidade da luz é relevante e, normalmente, com ela o preço também se torna relevante. Uma lanterna com 50 lumens é ideal para a maior parte das situações, contudo uma lanterna com 30 lumens já é suficiente para aqueles que pretendem fazer uma aventura um pouco menos exigente.

Se você vai para lugares muito frios, prepare-se para gastar com sua lanterna, pois as baterias dela devem durar e o frio, como sabido, não colabora, descarregando as baterias das lanternas de qualidade inferior.

Algumas marcas são referência mundial neste mercado. As marcas internacionais, costumeiramente se destacam pela tradição, mas existem marcas nacionais que competem em preço, possuindo preços mais convidativos, porém muitas vezes deixam desejar quanto à qualidade.

Dentre as marcas internacionais se destacam Petzel, Black Diamond, Princeton, Coleman e etc. Ao mencionar as marcas nacionais, importante destacar que sua fabricação, assim como grande parte das internacionais é chinesa, porém algumas marcas atribuem relativa segurança, dentre elas, as lanternas da Nautika.

Bastões de Trekking ou Trekking Poles


São realmente uma mão na roda, principalmente nas decidas mais acidentadas. Podem reduzir o impacto nos joelhos em até 25%. Com tanta eficiência é um equipamento praticamente indispensável para aqueles que pretendem caminhar com mais segurança e estabilidade.

Como tudo, existem modelos e preços para todos os gostos. Existem bastões para crianças, jovens, obesos e idosos. Atende a todos os públicos.

Nacionalmente não existe nenhuma marca de referência em qualidade, porém algumas marcas vendem equipamentos mínimos e honestos em relação ao custo. Nacionalmente os mais conhecidos são os bastões da Quechua (lojas Decathlon), Azteq (Nautika) e Nord ou Big Wall (lojas Centauro).

A referência em qualidade, são costumeiramente de origem estrangeira. As principais marcas são Black Diamond, Leki, Salomon e outras.

Botas e Tênis

Quanto ao tipo de calçado, para o trekking de um dia não há grande exigência, porém uma única dica fica, não use tênis ou botas novas! Prefira os calçados mais velhos, pois estão mais macios, evitando bolhas e eventuais assaduras.

Caso queira investir um pouco mais, prefira os calçados com solas Vibram e impermeáveis com tecnologia Gore-Tex ou eVent ou se puder investir um pouco mais, escolha calçados com Ion-Mask (membrana hidrofóbica ionizada) e revestimento impermeável (Gore-Tex ou eVent).

Quanto as principais marcas, em regra são estrangeiras, dentre as melhores se encontram Asolo, La esportiva, Hi Tec, Salomon, The North Face, Vasque, Lowa, Merrel, Thimberland e etc.

Com essas dicas certamente sua aventura estará garantida.

Por fim, alguns conselhos, mais que simples dicas.

Conheça bem a região que você está indo, leve um mapa e converse com pessoas que já fizeram o trajeto, ande sempre em grupo, preserve a natureza, não jogue lixo no chão, faça necessidades básicas longe da trilha, rios e mananciais de água, não leve flores, plantas ou animais, não faça fogueiras e curta o passeio.

Depois de curtir sua aventura, ajude-nos a relatar a trilha e entre em contato conosco! Seu relato aqui!

Grande abraço a todos e feliz 2012, é o que a equipe Pé na Trilha Curitiba deseja a todos!